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A newsletter que agora se apresenta constitui um meio privilegiado de divulgação do projecto do Inventário do Património Cultural Móvel da Arquidiocese de Évora, fruto do protocolo celebrado entre a Fundação Eugénio de Almeida e a Arquidiocese.

Assumindo o compromisso e a responsabilidade de prestar informação técnica, cientifica e historico-artistica, esta edição incide sobre temas relacionados com o desenvolvimento do projecto, promovendo a divulgação dos acervos, abrindo perspectivas na reavaliação, interpretação e contextualização histórica e sociocultural dos dados recolhidos.

Este primeiro número procura ainda dar a conhecer a essência do trabalho desenvolvido pela equipa de inventariação, designadamente através da apresentação do projecto e do testemunho do seu coordenador técnico-cientifico.

Dá-se destaque a peças que, pelo seu particular interesse artístico, constituem expressões da nossa identidade cultural, que importa dar a conhecer.

Na rubrica Memórias, contam-se histórias, resgatadas ao tempo, que envolvem a arte, os artífices e a sua tradição.

 
 
 
 


O compromisso institucional da Fundação Eugénio de Almeida na preservação, no conhecimento e na divulgação do património cultural conduziu à celebração de um protocolo de colaboração com a Arquidiocese de Évora, tendo em vista a inventariação do património cultural móvel diocesano.

Este projecto vai permitir conhecer e dar a conhecer uma parte significativa de um património histórico-artístico e religioso que é uma das marcas mais valiosas da nossa identidade cultural. Trata-se de um levantamento exaustivo das várias interpretações artísticas que, ao longo dos séculos, têm testemunhado a profunda simbiose entre a fé, a tradição e a cultura de uma comunidade e de um país, constituindo-se como um dos principais pilares da sua memória histórica.

A inventariação constitui o ponto de partida para o conhecimento concreto e extensivo do património artístico da diocese de Évora com vista à identificação e divulgação dos vários acervos, à sensibilização para a preservação e salvaguarda dos seus valores e, sobretudo, para a necessidade da sua valorização cultural.

A divulgação assume-se como absolutamente necessária à identidade global deste projecto, potenciando todo o seu alcance e eficácia. É, para além disso, um contributo para o reforço da identidade cultural e para a sensibilização do público para as questões da cultura e do património.

O primeiro grande objectivo deste projecto é conhecer e estudar os acervos das igrejas, capelas, seminários e instituições religiosas das 158 paróquias que perfazem o território geográfico da Arquidiocese de Évora.

São abrangidos todos os objectos de valor histórico-artístico e religioso (pinturas, esculturas, ornamentos, alfaias litúrgicas, paramentos, instrumentos musicais), o património integrado (frescos, talha, azulejaria e tumulária) e documentos de arquivo e livros antigos.

A execução do projecto é assegurada por uma equipa técnico-cientifica multidisciplinar com formação específica nas áreas de História do Património, História da Arte e Ciências Documentais, recorrendo ainda a consultoria externa, designadamente nas áreas da gemologia, dos têxteis, da escultura, do livro e documento antigo.

O processo de inventariação, que segue as normas nacionais e internacionais utilizadas na descrição de bens patrimoniais, desenvolve-se de forma sistemática, sendo precedido e acompanhado de investigação que permita conhecer, do ponto de vista físico e documental, os espaços onde se encontram os vários objectos a estudar. Os objectos são fotografados, numerados, identificados e inseridos numa base de dados, que inclui descrição física, referências históricas, iconográficas, bibliográficas e outras informações relevantes. A informação, organizada com o recurso a software de gestão do património cultural móvel, constitui-se como um suporte relevante na produção permanente de conhecimento e de consulta pública dos conteúdos específicos, através do acesso à base de dados.

O programa de divulgação vai dar a conhecer, de forma abrangente e adequada aos vários públicos, nacionais e internacionais, a riqueza histórico-artística e cultural de um legado patrimonial inigualável. O projecto inclui um web site bilingue (português e inglês) para permitir o acesso, à escala global, a toda a informação; uma newsletter electrónica e bilingue (português e inglês) para a divulgação de novos dados e permuta de informações, designadamente com projectos congéneres; um cd-rom de carácter pedagógico para promover a formação histórico-artísitica das gerações mais jovens; workshops centrados na apresentação e discussão pública de temáticas relativas ao conhecimento e preservação do património.

Durante o biénio 2005 / 2006 o projecto decorre nos concelhos de Vila Viçosa, Borba, Redondo, Alandroal e Mourão. estimando-se a inventariação de 20.000 peças.

 
 
 
 


Coordenador técnico-cientifico do projecto do Inventário Artístico da Arquidiocese de Évora.

Natural da Ilha de S. Jorge, nos Açores, reside em Évora desde 1979.
Licenciado em arqueologia pelo Pontificio Instituto di Archeologia cristiana - Itália, possui pós-graduações em Museologia e História da Arte.

Da sua longa e diversificada experiência profissional, sobretudo no Museu de Évora, destaca-se o cargo de Director da instituição entre 1992 e 1999, dando um precioso contributo à inventariação do seu acervo artístico, à investigação bibliográfica e ao estudo aprofundado de obras de arte e de material arqueológico.

É membro de instituições relacionadas com o património cultural e vogal da Comissão Diocesana dos Bens Culturais da Igreja da Arquidiocese de Évora.



Que importância tem hoje um projecto desta natureza?

O projecto de inventariação do património móvel da arquidiocese é indispensável e, segundo a Comissão Pontifícia dos Bens Culturais, urgente. Conhecem-se inventários parcelares de igrejas e confrarias desde tempos remotos, geralmente simples elencos de peças ou, se mais preciosas, com alguns dados técnicos. Mas não se podem comparar com o que é hoje um processo de inventariação, uma acção sistemática de carácter científico, englobando a totalidade de cada peça, em diferentes níveis de abordagem, de modo a permitir o seu conhecimento exaustivo. Um projecto destes, hoje, é um processo activo que não se fica na formação duma base de dados, mas que inclui e exige a sua gestão continuada e a sua dinamização.

Quais são as dificuldades encontradas na recolha de informação?

Da nossa experiência de inventariação do concelho de Évora podemos dizer que as principais dificuldades se prendem com o estado de conservação e vulnerabilidade das peças, a sua colocação em locais de difícil acesso, a necessidade de recorrer a especialistas para a correcta identificação de alguns materiais e, com frequência, a falta de documentação sobre elas. Todavia, é sempre possível recolher uma informação base que poderá ser completada mais tarde. Felizmente, temos tido por parte de todos os párocos e responsáveis as maiores facilidades no acesso aos locais, às informações e às peças.

Como é construída a história da peça?

Perante uma peça a inventariar, o nosso primeiro objectivo é recolher todos os dados físicos e técnicos que permitam identificá-la sem margem para dúvidas. É, por assim dizer, preencher o bilhete de identidade da peça, que fica marcada com o respectivo número de inventário. Isso implica uma análise e manuseamento cuidados, com identificação de materiais e técnicas, datação e autoria, função, estado de conservação, localização, descrição pormenorizada e fotografias, hoje muito facilitadas com os novos processos digitais. Esta é a primeira fase da história da peça. Geralmente, em virtude dos prazos e ritmo da inventariação, temos que deixar para fase posterior dados sobre a proveniência, o contexto, as encomendas, o percurso, etc. São dados que exigem investigação aturada e demorada. Aliás, um dos objectivos que pretendemos atingir com a divulgação deste património é permitir que outros investigadores possam contribuir para complementar a história das peças.

Pode considerar-se este projecto pioneiro, na sua área, em Portugal?

Enquanto simples projecto de inventariação não creio que o seja. A diocese de Beja já o faz há muitos anos e outras dioceses têm-no feito ao menos parcelarmente. Enquanto projecto totalmente apoiado por uma Fundação, em colaboração com a diocese, com uma equipa especializada em permanência na inventariação sistemática de toda a diocese, com um programa avançado de informatização e divulgação, talvez o seja. Digo talvez porque não tenho conhecimento suficiente de tudo o que se faz pelo país. Creio, todavia, que o ser pioneiro ou não é irrelevante para nós. Importante sim, seria trocar experiências com todos os que trabalham no mesmo sentido, pondo de lado um certo isolamento que tem caracterizado muito do trabalho feito nas dioceses. Espero que alguns dos encontros e workshops previstos na calendarização do projecto possam facilitar esse intercâmbio.


Quais são as vantagens e os riscos, se os houver, da divulgação deste património?

Julgo que são muito mais as vantagens que os riscos. As vantagens são evidentes. Ninguém estima e cuida aquilo que não conhece. Só através do conhecimento preciso do património que se possui, é possível olhá-lo e compreendê-lo com outros olhos e outro espírito, preocupar-se com a sua conservação e dinamização. Quanto aos riscos, penso que um dos mais conhecidos, será divulgar a localização de peças especiais, sobretudo se tal localização não tem condições de segurança. Nesse aspecto, procuramos ter cuidados especiais. Mas, mesmo no caso que tais peças fossem objecto de furto, o facto de estarem inventariadas e divulgadas, pode facilitar em muito a sua recuperação.

 
 
 
 


Assessora Principal na Delegação Regional da Cultura do Alentejo.
Assistente convidada da Universidade de Évora.

"A realização do Inventário Artístico da Arquidiocese de Évora é um projecto que, para o Alentejo, deve ser considerado estruturante, não só pela altíssima qualidade patrimonial das colecções, mas também pelas mais valias - culturais, educacionais, turísticas... - que este projecto pode e deve trazer consigo.
Parabéns à Arquidiocese de Évora e à Fundação Eugénio de Almeida!
Parabéns a toda a equipa de inventariantes e ao seu director - Dr. Artur Goulart - pelo rigor e qualidade cientifica com que realizam este trabalho!"

 
 
 


Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

"Embora o notável Património histórico-artístico do Distrito de Évora seja precisamente um dos mais conhecidos a nível nacional, devido ao esforço da Academia Nacional de Belas-Artes e do historiador Túlio Espanca nos anos 60 e 70, o recenseamento exaustivo de espécimes espalhados por igrejas, conventos, capelas, ermidas e outros fundos no espaço da antiga Arquidiocese eborense estava por se fazer. Era, e é, tarefa inadiável, dada a importância de muitos conjuntos e obras de pintura, escultura, talha, paramentaria, azulejo, pratas, mobiliário, e outros acervos maioritariamente dos séculos XV a XIX, por vezes não assinalados no referido Inventário de Espanca, outras vezes aí referenciados mas entretanto deslocados de paradeiro, quando não desaparecidos...

Havia, pois, que articular o recenseamento exaustivo destes conjuntos, que atingem dezenas de milhares de espécimes, com uma investigação arquivística concertada e com um registo informático preciso, e esse magno trabalho coube ao Dr. Artur Goulart de Melo Borges e à equipa de investigadores que coordena à frente do Inventário do Património Artístico da Diocese de Évora, em curso de realização.

É de destacar a grande importância científica deste trabalho (de que já se mostraram resultados em exposições monotemáticas ou publicações parcelares) a quatro níveis:

1. o aprofundamento de conhecimentos histórico-documentais e artísticos sobre as peças em si, com revelação de nomes de artistas, mecenas e clientelas envolvidas;

2. o controlo sobre o estado de conservação das peças recenseadas, definindo modos de prevenção e, em alguns casos, de intervenções de restauro e reabilitação;

3. a divulgação deste património, mal conhecido do público em geral, facilitando novas rotas de promoção turístico-culturais;

4. a criação de novas estruturas de segurança e de salvaguarda, que impeçam roubos ou, no caso de estes ocorrerem, permita a rápida recuperação dos objectos extraviados.

Acresce o rigor deste inventário ao nível, também, do recenseamento de patrimónios deslocados e, ainda, de patrimónios cripto-artísticos, isto é, ainda documentados pela imagem mas já infelizmente destruídos. Todas estas razões atestam que o hercúleo esforço deste Inventário, no rigor metodológico em que se apoia e na estrutura interdisciplinar em que modela a sua intervenção, constitui uma mais-valia, não só para a História da Arte portuguesa mas, também, para a Diocese eborense e para os seus visitantes".
 
 
 
 

 

 

 
 
 
 

 


 

Nestas andanças do Inventário por paróquias e igrejas é frequente encontrar documentos antigos com preciosas informações sobre as peças inventariadas. Mais raro é que tais documentos aliem às informações técnicas outros dados históricos sobre a vida religiosa e social das populações, seus usos e costumes. Quando assim acontece, é enriquecedor e gratificante poder reconhecer o contexto em que viveram tantos objectos e perceber o que significaram para os seus antigos utilizadores. É o caso de um interessante documento da Régia Confraria de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa.

Corria o ano de 1778. A Régia Confraria necessitava de inventariar e avaliar as jóias de ouro e prata e pedras preciosas, bem como outras alfaias, da Senhora da Conceição. O Provedor das Comarcas de Évora e Estremoz, Doutor José da Silva Pinto de Carvalho, então nos Paços do Concelho daquela vila, mandou que, para o efeito, o escrivão e tesoureiro da Confraria, respectivamente Francisco Cândido de Almeida Valejo e o Rev.º Dr. João Lourenço Canhão, lhe levassem todas as referidas jóias e demais peças. Todavia, perante o grande número e variedade de pedras preciosas, constatou que isso só poderia ser feito por peritos na matéria, geralmente os ourives do ouro ou, ainda melhor, os chamados cravadores de diamantes. Deu-se o caso de, sendo o dia 31 de Agosto, estar a decorrer a feira de Vila Viçosa e ter tido conhecimento que, por motivo da feira, se encontravam na Vila "muitos artífices de ourives". Então, manda chamar Jacinto Ribeiro Lobo, João António da Silva, Manuel da Silva Coutinho e Pedro José Carneiro, "todos ourives e moradores da cidade de Évora", a fim de "verem, examinarem e avaliarem as referidas peças, e declararem a qualidade de cada uma das pedras e o seu justo valor, debaixo do juramento dos Santos Evangelhos". Assim fizeram, e o documento segue com um elenco de quinze jóias com pedras preciosas, com descrição e valor monetário, terminando com a declaração de que tal avaliação tinha sido feita segundo as suas consciências, seguida das respectivas assinaturas. Todavia, "visto os ditos artífices se quererem retirar", haveria ainda negócios a fazer ou era tempo de regressar a Évora, a inventariação continuou já sem a presença deles, mas com o aval do ourives calipolense Luís da Costa Calado.

Tal documento, aparentemente simples e vulgar, permite algumas conclusões interessantes. A primeira, e óbvia, e que aqui não vai explicitada, é a importância e valor, nessa altura, das peças da Senhora da Conceição, administradas pela Régia Confraria. Depois, o relevo da feira de Vila Viçosa, com a presença de ourives qualificados vindos de Évora, que aí deveriam ter vindo negociar na sua arte, bem como aconteceria, com certeza, com outras profissões. Não era, portanto, uma vulgar feira de produtos agrícolas ou artesanais.

Os ourives de Évora presentes ao acto eram profissionais conceituados na cidade. Todos eles eram ourives do ouro e Jacinto Ribeiro Lobo, além disso, era cravador de diamantes. Aliás, de todos, foi o único que registou marca - J - na chapa municipal. Morava na Carreira do Menino Jesus, fora aceite como Familiar do Santo Ofício em 1750, professara na Ordem Terceira de S. Francisco em 1756 e em 1762 fora conselheiro da Misericórdia, onde tinha sido admitido em 1742.

João António da Silva em 1771 morava na rua da Mouraria. Era um profissional abonado que já possuía duas quintas nos arredores de Évora e uma adega na rua do Inverno, quando em 1780 decidiu comprar outra no sítio chamado a Defesa, por 300 mil reis. Faleceu em 1785.

Manuel da Silva Coutinho residia na rua da Selaria onde tinha loja. Era casado com Maria Joaquina do Carmo e uma filha, Mariana de Jesus Clara, foi recebida em Junho de 1779, no Convento do Paraíso, tendo sido fiador do dote Pedro José Carneiro. Aliás, a filha deste, Ana Vitória do Carmo, foi igualmente admitida no mesmo dia, sendo fiador Manuel da Silva Coutinho.
Pedro José Carneiro, casado com Josefa Teresa Bernardina, morava na Alcárcova de Baixo e tinha loja na rua da Selaria. Sabe-se que, em 1787, fez uma porta de prata, hoje desaparecida, para o sacrário da Igreja do Convento do Espinheiro.

São frequentes as relações de amizade entre estes e outros ourives, pois é vulgar serem fiadores, ou testemunhas uns dos outros em contratos notariais de empréstimos ou de compra e venda de propriedades.

O facto é que, com tão competentes profissionais, as jóias da Senhora da Conceição com esmeraldas, rubis, topázios e diamantes, certamente que receberam a sua correcta avaliação, satisfazendo a preceito a Régia Confraria, que tudo mandou recolher "no cofre de três chaves (…), na forma que Sua Majestade ordena". AG.

 
 
 
 


· Entre 2002 e 2004, decorreu a acção piloto do Projecto, no âmbito da qual foi inventariado o património cultural móvel diocesano do concelho de Évora. Deste trabalho, foram seleccionados 130 objectos que estiveram patentes ao público, no Fórum Eugénio de Almeida em Évora, na exposição "Tesouros de Arte e Devoção" com edição do respectivo catálogo bilingue (português-inglês).

· Em Março deste ano foi apresentada a candidatura do Projecto - Inventário do Património Cultural Móvel da Arquidiocese de Évora e sua Divulgação - ao Programa Operacional da Cultura (POC) Eixo Prioritário 2 |Medida 2.2.| Acção 1.

· O projecto candidato, que se desenvolve entre 2005 e 2006, abrange os concelhos de Vila Viçosa, Borba, Redondo, Alandroal e Mourão e estima-se a inventariação de cerca de 20.000 peças.

· Está nesta altura em fase final a inventariação referente à Ermida de S. João Batista e à igreja de Nossa Senhora da Conceição, em Vila Viçosa.

 
   
   
   
 

Ficha Técnica:

Edição - Fundação Eugénio de Almeida

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Fotografia - Fundação Eugénio de Almeida

Contactos:

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Telefone 266 748 300 - Fax 266 705 149

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